A dádiva de sangue no mundo: o retrato da OMS
Olhar para os números globais da dádiva de sangue ajuda a perceber até que ponto este é um recurso desigual — e por que razão cada dador conta, esteja onde estiver.
118 milhões de dádivas por ano
De acordo com a Organização Mundial da Saúde (OMS), recolhem-se cerca de 118,5 milhões de dádivas de sangue por ano em todo o mundo. Parece muito — mas a forma como estão distribuídas conta outra história.
Um mundo a duas velocidades
40% de todas as dádivas são recolhidas nos países de rendimento elevado, onde vive apenas 16% da população mundial. A diferença nas taxas de dádiva é enorme:
- 3,1% da população dá sangue nos países de rendimento elevado;
- 1,6% nos países de rendimento médio;
- 0,5% nos países de rendimento baixo.
Por outras palavras: nos países mais ricos, dá-se sangue mais de seis vezes mais do que nos mais pobres.
Para quem vai o sangue muda com o país
Os dados revelam ainda diferenças no uso. Nos países de rendimento baixo, cerca de 54% das transfusões são feitas em crianças com menos de 5 anos. Nos países de rendimento elevado, 76% destinam-se a pessoas com mais de 60 anos — reflexo do envelhecimento e de tratamentos mais complexos, como cirurgias e oncologia.
O modelo voluntário é o mais seguro
Há também boas notícias: 79 países já recolhem mais de 90% do seu sangue a partir de dadores voluntários e não remunerados — o modelo considerado mais seguro pela OMS, e o que vigora em Portugal.
Porque isto nos diz respeito
Mesmo num país com um sistema sólido, a dádiva depende inteiramente da participação das pessoas. O retrato global lembra-nos que um sistema baseado em voluntários só funciona se houver, todos os dias, quem apareça.
Faça parte da solução. Veja as próximas dádivas.
Fontes: OMS — Blood safety and availability.