Saltar para o conteúdo
← Voltar às notícias

Sangue criado em laboratório: ficção científica ou futuro próximo?

Equipa ADSTV 1 min de leitura
notíciasciênciafuturo

E se o sangue pudesse ser “fabricado”? Não é ficção: no Reino Unido, um ensaio clínico pioneiro já transfundiu, pela primeira vez no mundo, glóbulos vermelhos cultivados em laboratório para o corpo de outra pessoa.

O ensaio RESTORE

Chama-se RESTORE e é conduzido por equipas do serviço de sangue britânico (NHS Blood and Transplant) com várias universidades. A ideia: partir de células estaminais presentes em sangue doado e, a partir delas, cultivar glóbulos vermelhos em laboratório.

Nesta fase, as quantidades são minúsculas — o equivalente a uma a duas colheres de chá (5 a 10 ml). O objetivo não é, ainda, substituir uma transfusão completa, mas perceber quanto tempo duram estas células “novas” em comparação com as de uma dádiva tradicional.

Porque é que isto entusiasma os cientistas

As células cultivadas são todas frescas, ao contrário de uma dádiva normal, que contém glóbulos de idades variadas. Se se confirmarem seguras e eficazes, poderiam, no futuro, revolucionar o tratamento de doentes com patologias do sangue, como a drepanocitose (anemia falciforme), e de pessoas com tipos de sangue muito raros, para quem é difícil encontrar dadores compatíveis.

Atenção: não substitui os dadores

Aqui está o ponto essencial. Esta tecnologia está numa fase muito inicial, é complexa e cara, e destina-se sobretudo a casos especiais. Para a esmagadora maioria das transfusões, o sangue continuará a vir — durante muitos anos — de dadores voluntários.

Por outras palavras: o futuro é promissor, mas o presente depende de si.

O melhor “laboratório” ainda é a generosidade. Veja as próximas dádivas.


Fontes: NHS Blood and Transplant · Universidade de Cambridge.